Nem Tudo São Flores

Dia 1 – Passei 1 dia em Sapa, no extremo norte do Vietnã e pude ver mais um grupo minoritário do país, os “Black H’Mongs”. Os integrantes deste grupo se vestem de preto!

Vejam só:

Mulheres "Black H'Mongs"
Mulheres "Black H'Mongs"
Mulheres "Black H'Mongs"
Mulheres "Black H'Mongs"

A cidade é muito bonitinha, mas teria sido melhor se não estivesse chovendo. Resolvi então não me demorar por lá, e no dia seguinte saí bem cedo de Sapa.

E foi então que teve início maaaaais uma aventura. Dessa vez, não tão prazerosa, mas que me rendeu boas risadas depois que tudo terminou.

Dia 2 – Se a Pfizer lançasse um Viagra para turistas, eu seria cliente! Isso porque una das piores coisas que existem é a sensação de impotência em uma viagem. E hoje essa sensação foi das boas.

Não sei se é paranóia minha…. a gente escuta tanta história de scams (mutretas, golpes) que acabo desconfiando de tudo e de todos que desviam um pouco do padrão. E hoje me pareceu que fui bombardeada com 3 tentativas consecutivas de golpes até que, no final, por falta de opção, tive de me render. Ainda não sei quanto dinheiro perdi, mas sei que perdi.

A história começa na fronteira do Vietnã com a China. É isso, pessoal, a próxima parada é a China! Mais um gigante pela frente!

Bem, voltando à história. Do lado conhecido, Vietnã, nenhum problema. Já sabia o que me esperaria e conhecia mais ou menos as regras do jogo. Mas do lado de lá (bem, de cá, agora), sabia que entraria em um novo e desconhecido mundo. Tinha lido bastante dicas na Internet e tentei minimizar o quanto pude os riscos e os contratempos, e parti relativamente confiante.

Na fronteira em si, nenhum problema. Até que os trâmites foram bem rápidos. Já pisando em território chinês, uma breve sensação de impotência começa a se manifestar: tudo em chinês. Entendam-me: TUDO!

Ok… mantenhamos a tranqüilidade e vamos em frente! Tento reconhecer um caixa eletrônico para sacar dinheiro e depois seguir para o terminal rodoviário que, segundo meus colegas internautas, deveria ser a uns 100m da fronteira.

Não vejo nenhum caixa. Nada. Resolvi perguntar. Ninguém me entende. Tentei fazer gestos. As pessoas até tentaram me ajudar, mas ninguém falava inglês! NINGUÉM!!! Aquela sensação de impotência vai ficando mais forte.

Resolvo, então, me dirigir ao terminal e ver se lá encontro um caixa. Pergunto para um, para dois, até consigo me fazer entender dizendo o nome da minha cidade-destino (Kunming), mas não consigo entender a resposta. Aonde é, afinal, o terminal?

De repente, um homem se aproxima de mim e me dá um celular. Alguém que fala inglês do outro lado da linha! O homem me diz que o terminal mudou de lugar e que aquele sujeito que tinha me passado o celular iria me levar até o novo lugar. Pensei comigo: isso está estranho, não li nada disso na Internet. Deixo o cara para trás e entro num hotel. Nada também, a recepcionista não fala inglês.

Saio do hotel, vejo um turista. Me direciono a ele, pois ele certamente falaria inglês. Ele diz ter ouvido falar que o terminal mudou de lugar, mas que iria se informar com um chinês que falava inglês, um tal de Mr. Lee. Hmmm… não me cheirava bem. No celular, o tal de Mr. Lee diz a ele para aguardá-lo na frente do antigo terminal. Hmmm… cheira mais mal ainda. Perguntei ao alemão se ele trabalhava lá, e ele respondeu que só estava passeando. Não cheira nada bem toda história. Que tipo de turista tem celular, um contato na cidade e passeia nas cidades fronteiriças!? Alguma coisa tinha lá…. Deixei o alemão para trás, embora não tão facilmente. Acreditam que ele insistiu que eu ficasse lá?

Resolvo entrar numa loja. Adivinhem se alguém me entendeu por lá? Já estava começando a ficar com uma leve agonia… felizmente, a mulher da loja liga para alguém que falava “chinglish”, mas que deu para mais ou menos  compreender que o terminal realmente tinha mudado. Putz! E ninguém falou sobre isso na Internet? Será que sou a primeira a me deparar com isso? Mereço…

A mulher da loja me coloca num táxi e fala com o motorista (assim supus) para me levar para o novo terminal.

Lá vamos nós… mas, péra lá, não tenho dinheiro!!!

Fui o trajeto todo tentando localizar caixas automáticos, mas nada… paguei $1 para o motorista quando chegamos, ele esbravejou qualquer coisa em chinês, dei outro $1 para ele e ele se calou. Certamente dei mais do que deveria, mas tudo bem. Só queria sair dali de uma vez…

Chegando no terminal, nada de caixa. A aventura recomeça. Uma mulher me vê e fala alguma coisa de inglês comigo. Digo a ela que preciso de um caixa, ela me manda subir numa moto e um amigo dela iria me levar. Pergunto quanto custa, ela diz “no money”. Hmmm… cheira mal. Ninguém faz nada de graça por essas bandas.

Subo na moto (não tinha alternativa), e tinha 30 minutos para ir e voltar antes de o ônibus partir. O motorista me leva quase todo o caminho de volta para o centro. Chego, enfim, nos caixas. Nenhum cartão funciona… nenhum! Oras, por onde estão meus anjos, que me esqueceram sem dinheiro, sem tempo, num lugar que ninguém me entende?

Continuo sem dinheiro. Falo com o motorista algo, ele nada entende mas liga pra alguém que fala inglês. Digo que preciso trocar dólar, ele responde para pararmos na loja dele, no caminho de volta para o terminal. Ok, lá vamos nós novamente. Chego lá para trocar os dólares mas não sabia exatamente qual a cotação do dólar em Yuan. Tive que aceitar o que o cara me propôs. Troquei $60, o mínimo necessário para pagar a passagem e não sair demais no prejuízo.

A sensação de impotência já tinha virado dor… se o Viagra para turistas existisse, teria tomado uns 8 naquela hora.

Chego, enfim, no terminal, me dirijo ao guichê para comprar a passagem, minha “amiga” está lá dizendo para não se preocupar, que ela resolveria. E me disse para acompanhar ela… mas eu fui, isso sim, em direção ao guichê. Digo para a atendente “Kunming”, pergunto quanto custa, a mulher diz Y143, e nessa hora o motorista da moto e a atendente começam a discutir em chinês. E eu, lá, sem entender nada! Ele provavelmente queria que eu comprasse o bilhete dele… mas eu insisto em comprar da atendente. E foi então que ele saiu correndo, desapareceu, e de repente reapareceu do outro lado do guichê, junto à atendente! Entregou a ela o MEU bilhete. Que surreal!!! Não criei caso com isso. Afinal, não paguei nada pela corrida da moto. Queria realmente sair dali e ir para alguma cidade decente. Mas alguma coisa certamente eles ganharam em cima de mim. Só não descobri o quê.

Fui a última a entrar no ônibus. Felizmente, consegui partir para Kunming. Calada toda a viagem (com quem falar?), o ônibus fez sua parada para o almoço. Me sento junto a uma chinesa e foi então que ela me perguntou: “Where are you from?”. Eu não acreditei nisso!!! E só respondi: “ohhhh, you speak english!!!!”. Pronto, meus anjos estavam cuidando de mim! Me enviaram a “Yan”, uma chinesa de Shanghai que mora há mais de 20 anos em NY, um amor de pessoa, e que cuidou de mim até o fim do dia, quando já em Kunming peguei o taxi para a o terminal ferroviário. Naquela mesma noite eu partiria para Dali, minha próxima parada.

O dia foi estressante, mas acabou bem. E, agora, estou em território chinês, pessoal! E só isso já me proporcionou vários momentos de felicidade! Poder ver um pouco da imensidão desse país e dessa cultura é fascinante. Ver um pouco de uma cidade grande chinesa, ainda que não das maiores, é incrível.

Primeira coisa a fazer quando chegar em Dali: comprar um pocket book com frases básicas em chinês. Impossível sobreviver aqui sem isso.

This entry was posted in Viagens. Bookmark the permalink.

10 Responses to Nem Tudo São Flores

  1. Samildes Magalhães says:

    Imaginem se algum ” Made China ” iria passar a perna em uma carioca descolada como vc Chan!!!!, vc deu foi muito trabalho para eles isso sim…hahaha claro que posso sentir seu sistema de alerta o tempo todo, mas, é isso mesmo,” jacaré que vacila vira bolsa de madame” ( qto mais ai ). E agora vc vai pegar mais oeste ou leste? Nesse bicho grande !!!!!!!
    Adorei o resumão, tá ficar uma profisa e se Sii vacilar vc toma o lugar dela hahahaha
    Que os Bhudas, anjosou seja todos os Seres de Luzes lhe proteja.
    Bjs no coração.
    Sami

    • admin says:

      Hahaha!!! Sami, você é uma figura!!! Fiquei uns dias ausente porque fiz um trekking, mas em breve atualizo minhas andanças por aqui, ok?
      Beijo grande!!!

  2. Marcia Barros says:

    Menina,
    quase não aguentei ler sem ir direto ao final, aí pensei “não aconteceu nada demais senão ela não teria feito o post”. Que drama. Os anjos da guarda estão tendo uma canseira contigo. Isso está melhor que qqr novela da Globo. É novela misturada com Discovery, Natgeo. TE CUIDA!!! Bj

    • admin says:

      Um drama total, Marcinha! Mas é o tipo de coisa que, depois que passa, a gente ri taaaanto!!! E continuo rindo até hoje, sabe?!
      Será que Aguinaldo Silva vai comprar meu roteiro? rsrsrs
      Beijos mil!

  3. Pedro Nin says:

    Chantal,
    A Márcia me falou dos seus relatos, e tenho acompanhado sempre. Que delícia! Quanta aventura! Estou babando! Não sei seus planos na China, mas uma dica: perto de Lijiang (perto de Dali) tem um lago chamado Lugu, onde vivem comunidades da minoria Mosuo, um povo matriarcal. Deve ser incrível conhecer. Beijos e boa sorte!
    Pedro

    • admin says:

      Olá Pedro, que bom te ver por aqui também!!! Seja bem-vindo!
      Pois é, aventura demais, né? Então… eu tou sabendo desse Lago Lugu. Eu ainda não sei se vou ter tempo de ir, mas talvez eu tenha um dia livre em Lijiang. Se isso acontecer, certamente dou um pulo por lá. Se não me engano, foi lá que a Gloria Maria fez um episodio do Globo Reporter, pode ser?
      Beijo e obrigada!!!

  4. Silvana says:

    Eu também li com muita ansiedade para chegar ao fim do relato, sabendo que vc estaria bem, até disse que rendeu risadas! Li pro pessoal aqui em casa também (risos). Muito bom, que bom que deu tudo certo no final! Não é qualquer um que te passa a perna não! haha Beijos!! Saudades!! Se cuida!!

    • admin says:

      E como rendeu risadas!!! Deu tudo certo, sim, Sil! A gente perde alguma coisa, um dinheiro aqui, outro ali, rola um stress… faz parte! Mas tudo isso é muito bem recompensado com o tanto de vivências que as viagens nos proporcionam!
      Saudades também!!!
      Beijo grande!

  5. Pingback: Um Dia a Menos - Um olhar na ásia

    • admin says:

      Efeméeeeerides?!?! Eu querendo aprender o chinês quando mal domino o português!!! Aiaiai, vou ter que rever meus planos!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Connect with Facebook